A Arte Propõe A Completude Interior
- Lenny Hipólito
- 28 de mar.
- 14 min de leitura
"O objetivo da arte não é representar a aparência exterior das coisas, mas o seu significado interior." Aristóteles
A arte consegue entesourar o nosso tempo, preservar a nossa vida com alguns apontamentos profundos quanto ao equilíbrio e a bondade, pois em tempo algum, devemos pensar que já entendemos o bastante. As nossas emoções podem se inclinar muito mais para uma direção, uma tendência do que para outra, devido ao que fazemos, ao que produzimos e relacionamos rotineiramente, como: podemos ser seguros e às vezes inseguros, alegres e às vezes tristes, corajosos ou desencorajados, divertidos ou aborrecidos, entusiasmados ou muito desanimados. Mas, a mágica que a arte pode produzir é nos propor convívios intensos das genialidades que nos carecem, entregando um grau de estabilidade a nossa essência, ao interior do nosso ser. Vicent Van Gogh enquanto estava internado no hospício psiquiátrico em Saint–Rémy-de-Provence e também em Arles na França, pintou algumas obras, inclusive a Noite Estrelada que retrata a vista da janela do quarto onde dormia, a qual é considerada uma das suas obras mais famosas. A pintura oferece um encantamento do seu mundo, durante um dos períodos mais difíceis da sua vida. As obras criadas por Van Gogh a partir de um hospital, são especialmente importantes, porque refletem a sua luta contra a doença mental e a sua busca incansável por tranquilidade e paz. As dependências do hospital internas ou externas, se tornaram um refúgio para ele, um lugar onde podia encontrar conforto e inspiração para a sua arte e até explorando pontos mais altos da sua criatividade.

A arte desempenhou um papel fundamental na vida de Van Gogh, especialmente durante seu período de internação. A arte pode ter sido um meio de expressar as suas emoções e sentimentos, e um modo de se conectar com a sua verdadeira essência. Além disso, a arte pode ter ajudado Van Gogh a acessar doses concentradas das inclinações que faltavam a ele. A arte pode ter sido uma forma de equilibrar as suas energias, de harmonizar as suas emoções e de encontrar um sentido de propósito e significado. É incrível pensar que, mesmo em um ambiente hospitalar, Van Gogh foi capaz de produzir obras de arte de extraordinário valor e expressividade para a sua carreira. Isso mostra que a arte sempre poderá ser uma fonte de força e inspiração e jamais de fraqueza e apatia, mesmo em momentos de adversidades. A arte pode ter sido uma forma de autocura para Van Gogh, uma forma de se encontrar com a sua própria essência e de encontrar equilíbrio interior. Penso que o ambiente acolhedor daquela casa de tratamento psiquiátrico, despertou em Van Gogh, uma felicidade afável, independentemente da simplicidade do ambiente o qual estivesse participando. Pois, a simplicidade pode nos permitir a apreciar as coisas mais belas e mais simples da vida, como: a beleza da natureza, a companhia de pessoas queridas, ou a expressão artística.
E no caso de Van Gogh, acredito que a singeleza da casa hospitalar, pode ter sido um fator importante para que ele encontrasse muita inspiração e criatividade. O hospital apesar de ser um ambiente às vezes de sofrimento e dor, pode ter sido um lugar de quietude e tranquilidade, onde ele pôde se conectar com a sua própria essência e expressar divinamente a sua arte, por meio das criações das lindas e icônicas obras que certamente o ajudaram a retornar às partes faltantes da sua personalidade. A arte exerceu uma forma de autorreflexão e autocura para Van Gogh, estimulando e permitindo que ele processasse suas emoções e sentimentos, e encontrasse um sentido de propósitos e relevantes significados. Ou seja, a arte foi uma forma de integração psicológica para Vicent, permitindo que ele reunisse as partes fragmentadas da sua personalidade e encontrasse uma sensação de completude, gerando mais sentido universal e a si mesmo. A arte e a criatividade têm o poder de transformar as nossas vidas e nos conectar com a nossa essência mais profunda, mais intensa, ajudando-nos a recuperar parte de nós mesmos que pode ter sido esquecidas. A história de Vicent Van Gogh é um exemplo inspirador e confirma que a arte sempre será um caminho para a completude interior.


Ressaltando, que a criação artística, sempre comprovará uma jornada de autodescoberta, de crescimento e de transformação. Além de nos ajudar a integrar as nossas experiências, a superar desafios e a encontrar a paz interior que acalenta a nossa alma e nos torna gigantes em nossas realizações diversas, nos fazendo sentir mais conectados conosco mesmos, com as outras pessoas, com o mundo e tudo ao nosso redor.
A arte propõe o reequilíbrio das nossas emoções e nos apresenta as grandes diferenças dos nossos gostos estéticos, inclusive. O que pode ser belo, atraente, elegante para umas pessoas, certamente não serão para outras. Umas pessoas gostam da arte realista, como a excelência das pinturas do Gustave Courbet, outras gostam da arte impressionista, como as obras espontâneas e naturalistas do Claude Monet. Algumas pessoas podem gostar do surrealismo, como das obras do Salvador Dali e outras preferirem a arte abstrata do Kandinsky, que em 1910 pintou a sua primeira obra abstrata, a qual foi inspirada pela teosofia, e usava a cor, a forma para sugerir música, crenças espirituais subjacentes.
Os nossos gostos sempre dependerão das nossas emoções. Por isso, devemos fazê-las vibrarem e estimularem-se, e não permanecerem adormecidas. As obras de arte carregam consigo mesmas um clima moral, um ar intuitivo, imaginativo, sensível. Uma obra de arte pode nos transmitir serenidade ou muita euforia, pode nos transmitir silêncio, paz ou mais agitações, pode nos comunicar mais rapidez nas atitudes ou reflexões duradouras, imersas, sem pressa, como se o tempo não passasse tão velozmente. Ou, pode nos sugerir riquezas diversas ou a simplicidade em seus tons brandos. São infinitos fatores que a arte nos comunica. E, a escolha por um ou por outro, reflete em vácuos psíquicos diversos. O que nos atormenta ou o que nos faz mais feliz? Desejamos obras que eliminem nossas fraquezas, nossas debilidades e que nos estimulem a resgatar um conforto que nos abraça, que nos entenda, nos proporcionando uma melhor vida. Para nós uma obra de arte é bela e de fato encantadora, quando supri os atributos, as qualidades, os dons que nos faltam. E pode nos incomodar, quando nos apresenta temas que já nos deixam desconfortáveis, que já nos deixam indefesos, ou que já comandam nosso estado mental.
Cada um de nós de forma individual ou conjunta por diversas naturezas, podemos e devemos ter um encontro diariamente com a arte para dotar o que é carente, faltoso em nossa vida, equilibrando a nossa existência em diversas áreas que revelam a nossa história ao mundo. Isso traduz que a arte revela e entrega o seu grande diferencial de transformar vidas e que somente é valorizada, quando há uma carência, uma falta especial. Como: se uma sociedade vive com uma extraordinária correria em uma grande metrópole, que não lhe oferece um ar puro, ruas tranquilas e tempo para entrosar com a beleza da natureza, esta será a sociedade que mais vai se identificar, apreciar e se emocionar profundamente ao se deparar com obras que retratem temas absolutos, atraentes pela beleza da natureza, ar puro, montanhas, riachos e mares. Que retratem o céu infinitamente estrelado, proporcionando um encantamento que supri, e indeniza de beleza, as carências das suas almas, o conforto espiritual, o equilíbrio mental de cada um. Percebe-se que conforme o momento que toda a sociedade vive, confirma quais obras de arte, receberão maior credibilidade e maior glória naquele momento. A arte que apreciamos, que desejamos, é exatamente a jornada que falta a ser cumprida em nossa vida.
Além da arte cumprir com rigor a função de nos trazer de volta, reequilibrando a nossa individualidade e nossos temperamentos, a arte pode nos contribuir a ser mais autoconfiantes. Porém, vivemos em um tempo, que razoavelmente ou quase sempre, não aceitamos receber muito bem aconselhamentos ou orientações diversas para focarmos em ações que nos desenham e confirmam a nossa bondade e generosidade. Mesmo que saibamos que o nosso progresso humano depende dos nossos comportamentos, respaldados por atributos que nos conectam com a fé, a esperança, o conhecimento, vivências e experiências diversas, bem como a empatia, a disponibilidade e o amor, ressaltando uma convivência intensa com a arte que amamos. Pois, somente por essa linha de melhor condução, podemos nos tornar seres humanos interessantes e bons. No mundo moderno em que estamos nos atuando, inúmeras pessoas mantem disciplina aos seus horários de atividades para trabalharem em benefícios da beleza que constitui os seus corpos. Isso é fabuloso. Mas de fato, o que incomoda às mentes pensantes e as pessoas mais especializadas no desenvolvimento da nossa moralidade, sensíveis a arte de viverem uma vida muito melhor, é que, se convidarem um grupo de pessoas assíduas às academias a investirem os seus tempos também para trabalharem e desenvolverem o caráter e conquistarem virtudes que os tornem verdadeiramente pessoas de valores inabaláveis, certamente diriam que não teriam tempo.
O estilo de vida moderno, pressupõe um comportamento adequado a um pensamento político no modelo que impõe, que todos vivam como desejam viver, sem interferências alheias ou aos caprichos de outros. Por esse viés comportamental a arte sempre há de propor e desenhar a melhor jornada para a completude interior. A nossa inteligência criativa e a nossa sensibilidade artística, é que precisam ficar antenadas às advertências que a vida poderá nos fazer, pelas nossas omissões quanto às virtudes que nos elevam e nos promovem. Entretanto, somos seres humanos bons, o que nos falta é aplicabilidade do nosso tempo, adequadamente à natureza das nossas necessidades físicas, espirituais e morais, com calma, disciplina, planejamento e propósito definido, dotados de motivos para as ações certas. Administrar bem a motivação para a energia criativa, traduz que estamos disponíveis a nos desempenhar, conduzir bem os nossos relacionamentos, os nossos compromissos que supram o caráter da nossa existência, sem aceitar imposição e constrangimento algum de outrem, que possa abalar o nosso crescimento pertinente às inúmeras áreas, que formam perfeitamente o ciclo da nossa existência.
E o próximo passo, qual seria? Estabelecer um relacionamento irrestrito com obras de arte, pois delas recebemos inúmeros benefícios, como o incentivo de entregarmos o melhor do nosso impossível, independentemente de qualquer interferência externa. O envolvimento com obras de arte é muito importante, porque também nos apresenta modelos vigorosos, que orientam as nossas defesas a todas as coisas que nos incomodam, que nos fazem sentir tristes, amedrontados, aliviando a nossa alma e encorajando as nossas atitudes.
É interessante nos tornarmos bem receptivos às obras que mais se identificam com a nossa essência e inteligentemente até mesmo àquelas que visivelmente entendemos, porém que resultam de concepções distintas do nosso modelo de vida, ou das nossas características emocionais. A nossa abrangência comportamental nesse caráter, proporciona maturidade de observação e apreciação da beleza da arte, além de nos orientar a abstrair de cada obra, as respostas sobre o que temos diagnosticado e indagado no âmago da nossa alma. As obras de arte comunicam e debatem conosco os temas mais incríveis e animadores, bem como temas que nos advertem a não selecionarmos aqueles caminhos para praticarem a nossa vida. Como exemplo: A obra de arte: - As Meninas de Diego Velázquez – “As Meninas” é uma das obras mais famosas do Velázquez, foi pintada em 1656. A pintura retrata a infanta Margarida, filha do rei Filipe IV da Espanha, circulada por suas damas de companhia, as meninas. Observando o fundo da pintura, podemos ver o reflexo do rei e da rainha no espelho. Essa obra é considerada uma das mais inovadoras da história da arte, pois Velázquez, quebrou as regras das composições tradicionais, criando uma cena que parece ser um instantâneo da vida real. Uma lição de vida que podemos concluir ao observar a beleza de todo o conjunto da obra e procurando entender a narrativa do Velázquez nessa construção icônica de arte, é que: “As Meninas” nos ensina sobre a importância da observação e da perspectiva. Velázquez nos mostra que a realidade pode ser vista de diferentes ângulos e que a verdade pode estar escondida atrás de uma aparência.

Às vezes, a arte nos apresenta uma interatividade ou uma comunicação um pouco estranha. Mas, ela é valiosa, porquê nos transmite ideias de ações especiais e raras, tão raras que não teríamos em nossos ambientes de convivências normais. Entretanto, certificamo-nos e esclarecemos em nossa mente a importância de que devemos nos envolver harmoniosamente com todas as pessoas. Essa reflexão potencializa a nossa esperança e nos provoca atentamente à novas descobertas, nos fazendo entender o quanto o mundo da arte pode ampliar – “ a minha sensatez de quem eu sou “ -, nos fazendo entender que somos capazes de crescer e vencer, dependendo apenas da nossa vontade, do nosso querer. Querer é poder e a arte é o centro dessa força imparável.
Por outro lado, destacamos a obra – O Colosso de Goya. “O Colosso”, é uma das obras mais misteriosas e intrigantes de Francisco de Goya, pintada entre 1808 e 1812. A pintura retrata um gigante nu e muito furioso, que parece estar acordando de um sono profundo. A interpretação dessa obra é aberta, porém muitos críticos, acreditam que ela representa a reação de Goya à invasão napoleônica da Espanha. O Colosso pode simbolizar o povo espanhol, que se levanta contra a opressão. A conclusão que fazemos ao apreciar por longo tempo e convivendo com a bela narrativa dessa obra espetacular é que: “O Colosso” nos ensina sobre a importância da resistência e da luta pela liberdade. Goya nos revela que, mesmo diante das adversidades, podemos encontrar força e coragem para nos levantar e lutar por nossos direitos e sobre todas as coisas que nos satisfaz. Tudo isso é muito útil e inspirador para as nossas vidas. Penso, que a missão do artista é encontrar novas formas para nos estimular a abrir os olhos quanto ao mesmo, ou que já nos sentimos exaustos de conviver, de conhecer e aprender, porém e mais do que isso, são fundamentais sobre a forma de conduzirmos a nossa vida absolutamente tranquila, confortável, sensata e abundante. Desta forma, entendemos que as obras de arte são verdadeiras fontes de inspiração e reflexão. Elas têm o poder de nos conectar com as nossas próprias emoções, pensamentos e experiências e nos ajudar a ver o mundo de uma maneira diferente. Sugiro que, quanto mais inspirações que você precisar, lembre-se que a arte possui a completude interior para te presentear. Seus sonhos são viáveis, seus sonhos são possíveis e você tem o poder de criar a vida que deseja. As obras de arte e a arte em geral, podem ser uma atenção e um lembrete desse benefício em sua vida para manter o seu nível de motivação elevado.

A arte em sua diversidade de formas, exerce o poder de nos conduzir a uma jornada de introversão e conexão com a parte do nosso eu mais profunda, sugerindo-nos a sensação de “completude interior”. Ela pode operar como um espelho da alma, refletindo emoções, desafios, sonhos e paralelamente nos oferece uma trajetória para a conquista de alegrias e paz interior.
Vivemos em um universo suprido de estímulos e desconfortos externos, onde a conquista pela perfeição e pela aprovação das outras pessoas, tornam-se fatores importantes em nossa existência. Nesse modelo de vida agitado que o tempo moderno nos impõe e nos impulsiona para fora de nós mesmos, passa-se despercebido o caráter importante de procurarmos reconectar com o nosso eu íntimo, interno. Penso, que a arte em todas as suas linguagens se apresenta como um farol que nos ilumina e nos guia de volta para a nossa essência, nos fazendo um convite precioso de abraçar carinhosamente a nossa verdadeira natureza. É nela que localizamos a chave mestra da completude interior, denotando-se um estado de harmonia consigo mesmo, onde admitimos nossas falhas, nossos erros, nossas limitações e reconhecemos a beleza unicamente iluminada que habita em nossa alma. A arte exerce a magia e a força de nos conduzir para um lugar, onde o tempo parece estático, onde as palavras deixam de ser essenciais e onde a autêntica comunicação acontece por meio de formas, sons, cores e emoções. Ela nos demonstra e nos faz sentir sensivelmente que é um reflexo da vida e simultaneamente um espaço preservado, protegido, onde podemos nos perder e, ao mesmo tempo nos achar, nos reunir. Isso é sensacional, é artístico, é tocante. A arte não nos impõe perfeição, plenitude; ela nos solicita dignidade e abertura para explorar e examinar as partes mais profundas e misteriosas do nosso ser.
Quando nos destinamos a criar ou a observar uma obra de arte, certamente estamos escancarando uma porta para um universo interno, na maioria das vezes desconhecido e muito misterioso. Uma pincelada, uma nota musical, um movimento de dança, leva uma parte de nós mesmos, desvendando uma expressão única do que vivemos e do que fazemos acontecer. A arte ao ser partilhada, cria uma conexão intensa entre o artista e o contemplador, conduzindo ambos a uma experiência transcendental, onde o eu individual se desvanece em algo maior. A criação artística se apresenta muitas vezes, como um reflexo do processo de autorreflexão e descoberta de si mesmo. Quando nos envolvemos com a arte, criando, observando, somos convidados a olhar para dentro e enfrentar os nossos desconfortos, nossos medos, reavaliando os nossos desejos e as nossas paixões. A arte tem a competência de nos tocar em um plano profundo e visceral, pois desperta emoções desde as mais recônditas, que nem sempre conseguimos expressar em palavras. E, ao procedermos, nos contribui a integrar essas emoções, aceitando-as, entendendo-as e aperfeiçoando-as o tempo todo.
É nesse processo de criação que encontramos a verdadeira completude. Não se resume em alcançar um estado de plenitude, mas sim de nos permitir ser quem verdadeiramente queremos ser e nos tornar de forma segura e com intencionalidade. A arte nos ensina que a beleza não mora na ausência de falhas, mas na aceitação das nossas falhas, nossos erros e na inteligência de reconhecer que somos íntegros como somos, com todas as nossas particularidades, porém comprometidos e entendidos que a arte exerce poderosamente em nossas transformações, fazendo-nos caber em um novo ser capacitado para uma vida muito mais interessante.
Ao decorrer dos tempos artistas de inúmeras culturas e épocas, produziam os seus processos criativos como meio de manifestar suas dores e alegrias. Frequentemente a arte se desponta como forma de registrar traumas e complexidades da vida, proporcionando um espaço para lidar com as emoções difíceis e por fim alcançar a paz que nos acalma e nos conforta, preenchendo o nosso íntimo de amor e esperança.
Em momentos de crise, de tristeza, a arte se consagra como um refúgio, um abrigo, onde seguramente podemos explorar nossas emoções sem críticas. Todas as formas de expressão artística como a pintura, a música, a escrita, a dança, nos permite conectar uma parte de nós, que por uma causa qualquer, tenhamos deixado em nossos arquivos esquecidos, adormecidos. O ato inteligível de criar algo com as mãos, com a voz, certamente será estimulante, animador para um estilo de vida que nos promove e nos consagra como seres que avançam e se reformulam em todas as necessidades. Pois, resgatamos e trazemos à tona o que estava acobertado nas profundezas do inconsciente. A arte nos sugere a ver além da superfície, a explorar variadas perspectivas e a discutir as normas estabelecidas. Ao nos engajarmos com a arte, somos instigados a abandonar velhas crenças limitantes, abrindo a nossa mente e o nosso coração a novas ideias, novos comportamentos e novas formas de ser, floresçam. Trata-se de um processo de redefinição, que é essencial para alcançar a completude interior. É por meio dele que diagnosticamos novas partes da nossa identidade e nos desvinculamos das ataduras que nos impossibilitam de viver uma vida repleta, como de todas as coisas extraordinárias que nos faz feliz e estimulados para o próximo nível.
A autêntica completude interior não se restringe a uma conquista individual. Ela se manifesta, quando nos interligamos a algo maior que nós mesmos, quando reconhecemos o valor da nossa parte no vasto cenário da vida. A arte nos disponibiliza um caminho para essa conexão, pois ela nos rememora que somos todos seres igualmente humanos, com experiências e emoções compartilhadas. Quando vivenciamos a beleza de uma obra de arte e ao percebemos alguém expressando a sua verdade, entendemos que, apesar das incompatibilidades externas, todos estamos conectados por uma experiência humana universal. Quando descontinuamos de nos ver como seres separados ou solitários e começamos a entender a nossa correlação com as outras pessoas e com o universo, nossa percepção de nós mesmos se expande e a nossa compreensão sensibiliza o nosso âmago. A arte nos auxilia a enxergar muito além dos limites da individualidade, ou seja, da singularidade de cada ser humano.
A procura pela completude interior não é um acaso, mas uma caminhada que se define até como uma missão que deve ser potencializada continuamente. É um processo de autoconhecimento e transformação que nunca deve ser interrompido. Cada momento de criação, cada obra de arte e cada apreciação sobre ela, é uma oportunidade de mergulhar com profundidade dentro do nosso íntimo e manifestar a luz do novo sobre quem somos e o que nos faz perfeitos.
Ao se consagrar à arte, você não apenas cria algo externo. Você está produzindo uma conexão excepcional com o centro da energia da sua própria alma, abraçando a jornada de ser intenso em sua totalidade. É nessa conexão emocional que habita a legítima paz, a autêntica completude interior.
Artistas como Kandinsky, pronunciavam sobre a necessidade espiritual na arte, sugerindo que a verdadeira expressão artística vem de uma necessidade interior” e nos guia em direção a um estado mais integrado de ser. Ele buscava a “arte espiritual” que pudesse tocar a alma das pessoas de forma profunda e transcendente. Quanta habilidade mental, inclusive.
A completude interior, não é uma posição a ser conquistada e somente. Mas, reflete uma dança contínua entre as nossas diversas dimensões e intenções. A arte com a sua generosidade, a sua magnanimidade imperiosa, presenteia-nos não apenas o palco para esta dança, mas também o ritmo, a música, as telas, os pinceis, as inspirações, os estágios que nossos corações aspiram desvendar.
Envio amor!